Se Leonel Brizola é nosso herói na luta pela emancipação do
Brasil, o maranhense Jackson Lago é o nosso herói na luta contra a oligarquia.
Brizola, homem do sul; Lago, homem do nordeste. Ambos pagaram caro pelo topete
de arrostar e até vencer em certos momentos o sistema de dominação que, em
plena época da informática, colonializa os povos de países emergentes como o
Brasil, ou de estados pobres, como o Maranhão.
Jackson Lago faleceu esta tarde, em São Paulo, aos 77 anos, depois
de debater-se por mais de três anos com um câncer devorador. Mas para o
governador do Maranhão, cassado quando mal completava dois anos de mandato, num
dos julgamentos mais comprometedores da justiça brasileira, o grande câncer
continuava a ser a oligarquia que há mais de 40 anos torna o maranhense um dos
povos mais subnutridos do mundo, a ponto de ter uma das estaturas mais baixas
do país.
Quando Jackson Lago foi cassado, na madrugada de 4 de março de
2009, ele já tinha construído mais de cem escolas (contra apenas duas da
administração que o antecedeu e depois o sucedeu), várias estradas e
desenvolvido um programa social e sanitário, que já começava a dar frutos entre
as populações marginalizadas. Dizem que seu "pecado" foi tirar as
contas do governo do estado de um grande banco privado e entregá-las ao Banco
do Brasil, onde os recursos estaduais eram mais bem remunerados e melhor
aplicados em termos sociais e econômicos.
Naquilo que o escritor uruguaio Eduardo Galeano chama de o
mundo pelo avesso (aquele que nos adestra para ver o próximo como uma ameaça e
não como uma promessa, nos reduz à solidão e nos consola com drogas químicas e
amigos cibernéticos), Jackson Lago, um dos homens mais honrados e honestos (era
pobre e só tinha o apartamento onde vivia) foi cassado sob a acusação de
comprar de votos. Segundo noticiava o site de O Globo, no dia de sua
cassação,"a acusação contra Jackson Lago e o vice Luiz Carlos Porto é
de abuso de poder econômico e compra de votos. O caso começou a ser julgado
pelo TSE em dezembro do ano passado (2008) , mas foi adiado por três vezes por
pedido de vista, substituição e doença de ministro. Na terça-feira
(4/03/2009) a sessão teve que começar do zero porque o ministro Ricardo
Lewandowski entrou no lugar de Joaquim Barbosa, que se declarou impedido de
julgar... Dos sete ministros, cinco foram a favor da cassação e dois
contra. A sessão durou mais de seis horas".
Jackson Kepler Lago no Hospital do Coração, em São Paulo. Ele
estava internado desde quarta-feira (30) na Unidade de Tratamento Intensivo,
depois de uma piora no seu estado de saúde. Jackson sofria de câncer de
próstata. O corpo de Jackson será trasladado para São Luiz, Maranhão, onde
deverá ser velado na sede do Partido Democrático Trabalhista (PDT), segundo
informações de companheiros do PDT maranhense.
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